Do Brasil para as Arábias

A adaptação brasileira em um país mulçumano

Ao desembarcar do avião em solo Árabe, trazemos em nossas malas além de objetos pessoais, uma bagagem de esperanças, sonhos e saudades.

Vir para os Emirados não é como ir para um outro país o qual estamos mais familiarizados com a cultura; seja pela proximidade geográfica, como com nossos vizinhos do Mercosul, ou com os países de língua inglesa, cuja cultura invade o Brasil por meio de seus filmes ou músicas.

Aqui o choque é grande e já começa no aeroporto quando vemos os funcionários com suas roupas típicas. Tudo é tão diferente que não sabemos se estamos sobre o efeito Jet Lag, cansados por uma viagem extenuante, ou inseridos dentro de um sonho.

Mas este é só o começo, ao andar pelas ruas das cidades nos deparamos por uma legião de paquistaneses, árabes, indianos, filipinos, chineses e outras nacionalidades tão diversas, que não sabemos como nos situar.

A língua também é um desafio, quando deixamos o Brasil nos dizem que o inglês é a língua franca nos Emirados Árabes Unidos. No problem! Então, quando chegamos aqui notamos que existem muitos idiomas: o inglês indiano, o inglês filipino, o inglês iraniano, o inglês árabe e por aí vai.

Outros desafios também se apresentam: a religião e seus costumes, o sistema de governo monárquico, a legislação diversa.  Peculiaridades como estas podem nos levar a um estado de perplexidade, admiração, o que pode ser chamado de choque cultural.

O choque cultural não diz respeito somente ao choque entre culturas, mas ao entrar em contato com uma cultura tão diferente nos chocamos com os nossos próprios valores e costumes. A princípio, tentamos ver e classificar as pessoas lendo a realidade social, na qual estamos agora inseridos, usando os mesmos óculos da cultura brasileira. Mas é claro que não funciona, ao usarmos estas lentes temos uma visão míope que só nos causa mais perplexidade.

Outras vezes nos identificamos na diversidade. Nos vemos tão iguais ao que é tão diferente, que nos espanta e nos assusta. Como uma brasileira pode ser igual a uma indiana ou a uma árabe?

A resposta parece simples mas o processo é complexo: nos identificamos pela essência humana e pelo encontro de humanidades. Somos humanos, amamos e sofremos indiferente de nossas culturas e apesar de nossas culturas.

O processo de adaptação em um país tão diferente não é fácil e temos que ter claro de que não existe imigração sem medo. Porém, se nos propusermos enxergar o presente, sem chorar ou se desesperar por aquilo e aqueles que deixamos no Brasil, e sem a ansiedade de um tempo futuro que ainda não existe, que pode ou não nos levar de volta ao nosso país, teremos uma grande oportunidade: Crescimento!

Quando mudamos para um outro país temos a singular oportunidade de nos desenvolver, de nos reinventar, de nos modificar, de aprender. Crescer em vários aspectos: em uma nova cultura, em uma nova língua, pessoalmente, familiarmente, profissionalmente. Muitas vezes nosso olhar se estabelece e se fixa no que perdemos e não no que estamos ganhando. Isso pode nos trazer grandes sofrimentos psíquicos e podemos deixar passar uma grande oportunidade de desenvolvimento.

O processo de adaptação exige tempo, aos poucos vamos nos aprofundando na cultura do novo país, fazendo novos amigos, buscando referencias na comunidade brasileira e estabelecendo uma comunicação mais efetiva e gratificante com os nossos amigos e parentes que ficaram no Brasil. E, assim, aos poucos, vamos nos inserindo.

As motivações de vir para um país estrangeiro, tão diferente do Brasil, são muitas e diferentes para cada um de nós, mas com certeza todos nós estamos compartilhando uma oportunidade única de desenvolvimento e de crescimento.